Intel “encolherá” 25% até o final de 2025
Após prejuízo Bilionário no segundo trimestre de 2025, Intel irá demitir até o fim deste ano um total de 24 Mil funcionários e cancela investimentos em 3 países.
Essas ações de demissão fazem parte do plano de reorganização da empresa comandada pelo CEO Lip-Bu Tan (desde o inicio de 2025), para cortar gastos e alinhar a situação financeira da empresa, que vem sofrendo com depreciação de mercado e acumulando prejuízos bilionários, tendo acumulado no segundo trimestre deste ano um prejuízo de 2,9 Bilhões de dólares, embora a Intel tenha sido líder absoluta em participação no mercado de chips para computadores e servidores durante décadas, nos últimos anos a Intel tem sofrido um duro golpe devido a diversos fatores.
Em 2017 a Intel começou a perder espaço para o seu principal concorrente, a AMD, com a chegada da então novíssima arquitetura de processadores Zen, a AMD começou a ganhar espaço frente a Intel, por entregar um produto competitivo, com bom desempenho e preço abaixo dos produtos concorrente da Intel.
Nos anos seguintes a Intel passou por dificuldades em lançar novos produtos que trouxessem ganho de desempenho significativo e novos recursos, acumulou atrasos tecnológicos principalmente na questão das litografias dos seus processadores, permitindo que empresas como AMD, Nvidia e TSMC ganhassem vantagem especialmente no segmento de Inteligência artificial e data centers.
Em meados de 2021, enquanto a AMD ja produzia processadores de 6nm na linha dos Ryzen 3000 (Zen2) a Intel ainda usava litografia de 14nm, conseguindo implementar 10nm apenas na 11ª e 12ª geração de seus processadores (Tiger Lake e Alder Lake).
É interessante pensar como a AMD deu um salto na evolução de seus produtos, ainda em 2017 a AMD fornecia em seu catalogo chips de 32nm, como é o caso dos processadores FX, que teve sua última aparição no catálogo da AMD em 2017 (versão FX-8300), nesta época a Intel ja usava 14nm em seus processadores, mas neste mesmo ano a AMD conseguiu avançar duas gerações, e posteriormente ultrapassar a Intel no processo de litografia dos seus processadores.
Veja este comparativo entre a litografia da AMD e da Intel nos últimos 10 anos

Como se não bastasse o atraso no lançamento de novos produtos para acompanhar a ascensão da concorrência, a Intel tropeça mais uma vez ao lançar produtos defeituosos, em 2022 processadores Intel de 13ª e 14ª geração começaram a apresentar falhas graves, Chips Raptor Lake começaram a apresentar instabilidade, travamentos e falhas durante cargas intensas, especialmente em jogos, causando transtorno a milhares de usuários, apesar de a Intel não reconhecer o problema em primeiro momento, foi confirmado posteriormente pela própria Intel, que realmente seus chips estavam comprometidos, e a Intel precisou estender sua garantia, como ja falamos no artigo sobre falhas graves nos processadores Intel.
Essas falhas mancharam a imagem da empresa frente aos consumidores, fazendo com que muitos usuários migrassem de plataforma, saindo do ecossistema da Intel e indo para o lado vermelho da força, para a AMD.
No seguimento de processadores para servidores o cenário também não foi dos melhores, até 2016 a Intel possuía cerca de 98% do mercado de servidores para datacenters, mas com o surgimento da linha EPYC da AMD em 2017, sua participação começou a diminuir, e da AMD começou a crescer; 2% em 2018, 4,5% em 2019, 7,1% em 2020, 10,7% em 2021, 17,6% em 2022, 23,9% em 2023 e 29,4% em 2024, chegando a 50% de participação no mercado em 2025, igualando a Intel e marcando o fim da supremacia histórica da empresa no seguimento.
No mercado de processadores para PC, a Intel ainda é líder, mas sua participação vem caindo acentuadamente, principalmente com as fracas vendas dos processadores Core Ultra, e AMD vem cada vez mais, crescendo em vendas de seus processadores, sendo impulsionada principalmente por processadores com tecnologia de 3D v-cahce.
Outro fator que pode ter impulsionado ainda mais a Intel a colocar o pé na jaca, foi a divisão de GPUs, a Intel investiu bilhões de dólares, e lançou um produto precoce no mercado, apesar do grande potencial de suas placas ARC, as placas de vídeos da Intel chegaram ao mercado com sérios problemas de Drivers, comprometendo o desempenho de seus produtos, e apesar dos esforços, a divisão de GPUs conseguiu fazer frente apenas ao mercado de entrada e intermediário, não sendo um produto capaz de competir com placas Hight-end de alto desempenho.
Ainda no mercado de GPUs, a Intel cometeu outro erro, não ser capaz de abastecer o mercado com suas placas, apesar de altos investimentos a Intel enfrenta desafios significativos para conseguir produzir estes chips em larga escala e competir com empresas ja estabelecidas como é o caso da Nvidia e AMD. A divisão de GPUs da Intel continua a registrar perdas, em 2021 a Intel divulgou prejuízo de cerca de 2,1 Bilhões de dólares, e mesmo agora em 2025 a participação de mercado das GPUs da Intel não chega a 1% desde a criação da divisão de GPUs (indicando que a empresa ainda está em processo de amadurecimento nesse setor altamente competitivo).
Somando todas essas situações, a Intel perdeu cerca de 53% de valor de mercado, indicando que a situação da empresa realmente é delicada, e as ações e estratégias adotadas para as próximas gerações de seus produtos podem decidir se a empresa vai se recuperar, ou bater o ultimo prego no caixão, uma coisa é certa, é necessário a empresa mudar a postura, pois o resultado não será diferente a menos que a empresa tome um caminho diferente ao que vem trilhando nos últimos anos.
Abaixo está um gráfico com a comparação do valor de mercado entre Intel e sua concorrente AMD.

Essa diminuição da Intel só é boa para a AMD, pois sem concorrência a altura, os produtos da AMD se tornam mais caros, e por incrível que pareça há cenários em que alguns processadores da Intel apresentem o melhor custo-benefício frente aos processadores da AMD que estão mais caros devido à grande procura, isso não é bom para o consumidor, também não é bom para a sociedade, pois serão 24 Mil pessoas perdendo seus empregos, logo torcemos para a recuperação da Intel, e também para a continuidade da AMD, pois dois grandes fabricantes com produtos a altura, resultam em preço mais acessível para o consumidor,
“A 10 anos atrás era impensável que a Intel seria superada em todos os seguimentos das mais diversas formas possíveis como aconteceu, mas uma coisa é certa, o fato de estar na liderança não dá o direito de se acomodar, como fez a Intel no passado, e isso vale para a AMD e até mesmo para a Nvidia”.




